A LABRE, O RADIOAMADORISMO E OS SEUS PROBLEMAS

A propósito do assunto, recentemente, lemos numa revista especializada, que muitos radioamadores dos EUA estavam “ressuscitando” antigos aparelhos em AM. Por que não imitamos os nossos colegas americanos? Precisamos, isto sim, povoar as nossas faixas, eliminando, assim, o risco de perde-las. É válida, portanto, qualquer iniciativa, mesmo que, para isso, se utilize um modesto equipamento, construído para os contatos “de esquina”. Às vezes, tais “cachivaques” fazem verdadeiros milagres de transmissões, cujos sinais chegam a ultrapassar as nossas fronteiras, atingindo remotas regiões do planeta, sendo incontida a alegria por tais feitos. Foi o que fizeram os nossos precursores, a começar pelo grande sábio brasileiro que foi o Padre Roberto Landell de Moura, que lutou, tenazmente, para concretizar o seu sonho, como inventor da telefonia sem fio, do telégrafo sem fio e das transmissões de ondas, isso nos anos de 1893 e 1894. Se não tivesse havido a incompreensão das autoridades civis e eclesiásticas brasileiras, ele teria sido o pioneiro, no mundo, na transmissão de sinais, através do éter, abrindo desse modo, os caminhos para as telecomunicações e o extraordinário desenvolvimento em que elas se encontram no momento. Foi considerado, entretanto, como um impostor, mistificador, louco, bruxo, padre renegado e herege. O que se dizia, na época, era que o mesmo tinha parte com o diabo, visto que fazia com que a sua voz chegasse a quilômetros de distância. Como não tivesse encontrado apoio das autoridades brasileiras viajou para os Estados Unidos, onde permaneceu por três anos, enfrentando grandes dissabores, decorrentes das dificuldades financeiras. Somente em 1904, conseguiu, finalmente, o registro das patentes do transmissor de ondas (nº. 771.917) , do telefone sem fio e do telégrafo sem fio (nºs. 775.337 e 775.848). Nessa altura, Marconi que havia emigrado para a Inglaterra, em 02 de junho de 1896, obteve a patente do seu invento.

 Em 1909, o radioamador Lívio Gomes Moreira, natural de São João da Barra, Estado do Rio de Janeiro, começou também a estabelecer contatos através do rádio, com uma estação de 2,5 watts, construída por ele próprio, dentro de um sistema rudimentar, inclusive, utilizando garrafas para a confecção de bobinas e fabricando condensadores com papel de chocolate e chapas fotográficas de vidro, visto que pouco, ou quase nada, se podia adquirir em casas comerciais. Com o mesmo ideal, um pouco mais tarde, se empenharam nessa tarefa José Jonotskoff Almeida Gomes, Álvaro S. Freire, Carlos G. Lacombe, Pedro S. Chermont, Henrique Morize e Edgard Roquette Pinto, no Rio de Janeiro; César Yazbek, João Ramos Baccarat, Elias Amaral,  Leonardo Y. Jones Júnior e João Tonglet, em São Paulo; Rubem Simas e Levy de Souza, no Paraná; Tyrteu Rocha Vianna e Pedro Carlos Schuck, no Rio Grande do Sul; Tito de Araújo Firmo Xavier, João Cardoso Ayres, Mário Penna e José Victor, em Pernambuco; Jayme Seixas, Lupércio de Souza Branco, João Pinto, Pedro Matos e João Miguel de Morais, na Paraíba. Esses e tantos outros abnegados, que viveram um passado que já vai longe, constituíram a glória do radioamadorismo brasileiro, porque muito lutaram procurando desvendar os mistérios e as múltiplas utilidades que do empreendimento poderiam surgir. Aí estão, portanto, alguns fragmentos da história da LABRE e, por extensão, do radioamadorismo, colhidos por nós em mais de quatro décadas de vivência, como labreano e como radioamador. Nesse período, com profunda tristeza, quando vimos essa caminhada começar a claudicar, exatamente, como já dissemos, devido aos mais diversos problemas e, dentre esses, um que julgamos de maior importância: - a falta de apoio da parte de um considerável número de permissionários, visto que, como sabemos, a LABRE tem a sua estrutura alicerçada no radioamadorismo, razão precípua de sua existência, como este depende, para o seu desenvolvimento, de uma atuação ativa da referida Entidade. Através desses relatos, conclui-se que ainda há muito o que fazer para que a LABRE e o radioamadorismo voltem a ser o que eram, há pouco mais de três décadas.

Existe, portanto, um longo caminho a ser percorrido, cheio de muitos obstáculos, mas não intransponíveis, desde que haja uma intensa ação participativa, principalmente dos não associados que, usando o pouco do seu raciocínio, poderiam sentir quão necessária é a sua filiação à referida Entidade. Esta, com a sua estrutura fortalecida, teria mais condição de partir para os grandes pleitos, sobretudo agora, com a criação da RENER, quando haverá razões sobradas para essas reivindicações porque, como é óbvio, tal órgão não poderá funcionar plenamente, sem contar com a totalidade dos radioamadores, devidamente equipada, o que representa, na verdade, o cerne da questão. Isso implicará, além de muita habilidade, força de convencimento e muita pressão pois, só assim, se conseguirá sensibilizar, no caso, os componentes dos órgãos fazendários, visando, pelo menos, a redução nas alíquotas de importação, com referência aos componentes destinados à montagem de equipamentos, visto que a entrada no País de aparelhos prontos, de fabricação estrangeira, enfrenta sérias restrições, por constarem da relação da Comissão de Política Aduaneira como “artigos supérfluos”. Por isso, é que defendemos o fortalecimento da LABRE pois, do contrário, não chegaremos a lugar algum. Essa coesão é, portanto, de significativa importância para a concretização dos projetos estabelecidos pelos seus dirigentes. Isso ocorrendo, certamente, teremos uma LABRE engrandecida e um radioamadorismo participativo e fraterno, oportunidade em que se nos oferece para tornarmos a ouvir palavras enternecedoras, como as proferidas pelo jornalista Ivon Pinto e inseridas na edição de 20 de agosto de 1980, do Jornal Correio do Sul, de Santa Rita do Sapucaí-MG, cujos parágrafos finais assim diziam: - “Na vida atual, seria difícil ignorar as presenças da RNR e da LABRE, que congregam todos os radioamadores brasileiros, sob uma bandeira comum. Por toda parte, encontramos esses abnegados, presos a um dever ético intransigente. Eles também se espalham pelo mundo inteiro, sob as mais diferentes bandeiras, esperando, apenas, o sinal para se arregimentarem em torno do bem comum”.

 “É bem verdade que, de todos os indivíduos que, num esforço contínuo querem propiciar ao seu semelhante uma grande solidariedade que os imantize com todos os povos, ninguém obteve tão grandes resultados como os radioamadores. São eles, enfim, os anônimos dos confrontos mundiais”. E conclui: - “Onde quer que haja uma dor para minorar; onde houver uma aflição para suavizar; uma ansiedade para confortar; onde um homem selvagem necessitar conhecer o conforto civilizado dos seus irmãos, aí estará presente a voz enternecida desses heróis anônimos, sofrendo as dores que não são suas, suavisando as chagas que jamais viram e consolando almas que, nem sequer, conhecem”. Antes de encerrarmos estas considerações, queremos prestar  a nossa sincera homenagem aos componentes da “velha guarda” que fizeram a implantação da LABRE e do radioamadorismo em nosso Estado. Muitos já nos deixaram a caminho da eternidade, como João Miguel de Morais, ex-PY7LN e Pedro Matos - PY7LA, entre outros. Alguns deles, entretanto, estão ainda conosco neste mundo de Deus, como Diógenes Setti - ex-PY7NC, residindo, atualmente, no Rio de Janeiro, Hermano Araújo - PR7MP, que se constituiu numa grande bandeira e ao qual a LABRE muito lhe deve; Euclides - PR7MN e Nestor - PR7MV que, como detentores de conhecimentos da técnica eletrônica, orientavam os candidatos a ingresso no radioamadorismo; Santos - PR7NK, o eterno Tesoureiro, que cumpria a difícil tarefa de, todas as semanas, procurar os colegas, nos seus QTH’s ou nos seus “batentes”, a fim de conseguir deles os preciosos QSJ’s, destinados ao pagamento do pessoal responsável pela construção do prédio de nossa Sede. Além desses, formando o “grupo de apoio”, emprestaram também a sua colaboração os colegas Amaury - PR7NX, Vitoriano - PR7PN, Fernando - PR7NI, Abnilson - PR7PJ, Magdala - PR7LAB, Machado - PR7LAV e tantos outros, cujos nomes fogem de nossa memória. Mas, há um que não pode ser esquecido: - o do ex-Governador Pedro Gondim - ex-PY7PG, isso pelo muito que ele fez em favor da LABRE/PB, visto que foi na sua gestão, à frente do Governo do Estado da Paraíba, que ocorreu a doação do terreno onde foi construída a sua Sede. Com referência à citada Entidade, no momento, ela vai muito bem, graças à sua equipe administrativa, que tem, como seus timoneiros, os colegas Ivo Severiano Alves - PR7IVO, na Presidência da Federação e Murilo Martins Ferreira - PR7AYE, na Presidência do Conselho Federativo e que, por isso, merece o apoio, irrestrito, de todos os associados.

João Pessoa-PB, 27 de dezembro de 2001

 

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